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sábado, 20 de novembro de 2010

Receitas veganas de Fim de Ano

"Baixe as receitas selecionadas pelo Vista-se para o seu final de ano. Imprima e faça um livrinho de receitas para distribuir aos parentes e amigos.
► BAIXE AQUI | Última atualização do arquivo: 16/12/2009 às 11:33
Formato: zip (com pdfs separados dentro)

Envie aos amigos – especialmente os que comem alimentos com ingredientes animais – uma seleção de receitas veganas para este final de ano!"
Divulgue o link 
www.vista-se.com.br/natal 
De Vista-se

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Eminem diz que vestido de carne crua de Lady Gaga “cheirava mal”

Segundo o tabloide britânico “Daily Mirror”, o rapper Eminem não gostou de se sentar próximo a Lady Gaga durante o MTV Video Music Awards porque o vestido de carne crua dela cheirava mal. “Marshall disse que não queria passar a noite sentado ao lado de uma pilha de carne”, afirmou uma fonte próxima ao americano à publicação.
Ainda segundo a reportagem, a cantora Cher “manteve distância” de Gaga ao lhe entregar o troféu de melhor clipe do ano.

Polêmica
A entidade de defesa dos direitos dos animais PETA fez um pronunciamento na segunda-feira, dia 13, sobre o traje da cantora pop. “Carne é o corpo em decomposição de um animal que não queria morrer, e depois de ficar sob as luzes da TV ia cheirar como carne podre. Não é muito atraente”, disse um porta-voz da organização.
Em entrevista à apresentadora Ellen DeGeneres, Gaga declarou que não queria desrespeitar os vegetarianos ao usar o vestido. Segundo ela, estava apenas defendendo aquilo que acreditava. “Se não lutarmos pelos nossos direitos, muito em breve teremos tantos direitos quanto a carne nos nossos ossos. E eu não sou um pedaço de carne”, disse.
Fonte

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Dilma recebe 11 milhões em doações do maior matadouro brasileiro


Nota de LEONARDO ATTUCH, em DINHEIRO desta semana. “O MÃO ABERTA DA CAMPANHA. Embora os candidatos à Presidência ainda não estejam revelando os nomes dos seus doadores, o grupo que mais contribuiu até agora para a campanha de DILMA ROUSSEFF que já arrecadou cerca de R$ 11 milhões, foi o JBS-FRIBOI. E o apoio vai muito além da questão financeira.
O frigorífico que tem entre seus sócios o empresário José Batista Júnior, se dispõe a prestar apoio logístico em todos os locais por onde a candidata passar, oferecendo inclusive seus aviões. Para quem não se lembra, o JBS-FRIBOI é uma das novas “multinacionais brasileiras” turbinadas pelo capital do BENDEs”. Por sua vez, turbinado com o capital do Tesouro Nacional.
Fonte | Dica do colunista Cesar Corregiari

De Vista-se

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Por trás dos laboratórios – Parte 2

3. OS DEFENSORES | Esses atos desumanos que acontecem por trás dos laboratórios tem preocupado muita gente, aqueles que possuem sensibilidade, que ao se juntarem formaram grupos, os defensores dos animais. De décadas para cá, a defesa dos animais tornou-se, portanto, a defesa de muitos e está mudando a forma como as pesquisas são realizadas e a finalidade a que estão sendo destinadas. Às vezes para melhor, outras, nem tanto. Não obstante, em todos os casos, o que os cientistas consideram a melhor atitude é adotar a cautela.
Vale dizer que foi somente em 1975 que Peter Singer – filósofo australiano -, ficou realmente tocado ao saber o que realmente acontece por trás das “indústrias” e se perguntou: “O que nos dá o direito de usar animais? Por que podemos sobrepor a nossa vontade à deles?”. Singer concluiu que, a premissa de que podemos usar outros animais simplesmente porque eles não são seres humanos, não tem sustentação lógica ou mesmo biológica. Em seu livro “Libertação Animal”, ele critica o preconceito ligado à espécie, o que ele denomina de “especismo”. O autor afirma que as regras morais deveriam ter por objetivo minimizar o sofrimento. Nessa esteira, muitos animais estão, portanto, em pé de igualdade com os seres humanos, por possuírem também sistemas nervosos capazes de sofrer. Diante desse raciocínio, moralidade deveria negar qualquer experimento que cause dor em animais. Todavia, vale realçar que Singer nunca criticou a morte de animais, contando que ela fosse indolor.
Em 2006, Singer disse à rede britânica BBC “Está claro que pelo menos algumas pesquisas com animais tem benefícios. Eu certamente não diria que nenhuma pesquisa animal poderia ser justificada”, defendendo cautelosamente os experimentos com cobaias. Contudo, a base para os defensores dos animais é e sempre foi os argumentos de Singer relacionados os especismo, sendo sua última entrevista à BBC de pouca relevância à eles.
Nas palavras de David Cantor – diretor-executivo da ONG Responsable Policies for Animals (Políticas Responsáveis para Animais) – : “A nossa posição sobre a experimentação animal e os testes de produtos deriva de nossa posição de que toda a exploração animal deveria ser abolida, que animais não-humanos têm direitos morais que deveriam ser reconhecidos na lei e nos costumes, e que isso deveria eliminar seu status de propriedade.”
Vale ressaltar que os defensores dos animais, com ações organizadas, conduzem protestos e chegaram a se infiltrar em empresas para registrar e denunciar os maus-tratos aos animais. Isto está no documentário brasileiro “Não Matarás”, produzido pelo Instituto Nina Rosa. Nas palavras de Nina Rosa: “Nosso vídeo é dedicado às pessoas que tiveram a coragem de presenciar essas cenas durante meses, até anos, para provar ao público o que se passa dentro dos laboratórios. Elas foram captadas por técnicos que se empregaram em laboratórios com o intuito de denunciar as torturas por que passam os animais ali encarcerados. A fiscalização das condições dos animais é praticamente inexistente.” Convém ponderar que cenas fortes de torturas estão presentes no documentário, como demonstrações de coelhos sendo usados até perder a visão com o objetivo de realizar testes de cosméticos. De acordo com Nina “Gravar cenas como esta torna-se cada vez mais difícil, pois hoje os laboratórios previnem-se contra essa possibilidade, pesquisando a vida pregressa de candidatos a empregados e colocando câmeras para vigiá-los”.
Entretanto, segundo Rosa, agindo com gentilezas não minimizam os maus-tratos. Vale lembrar, que, para os defensores dos animais, a única alternativa aceitável é o fim de todos os testes. “Como se pode minimizar o sofrimento de um animal que foi roubado de seu meio e vai viver e morrer dentro de uma gaiola, sendo utilizado e reutilizado para experimentos dolorosos, em sua maioria sem anestesia (para não interferir nos resultados), sem contato com seus semelhantes, sem estímulo, sem espaço, sem ar natural, sem luz natural, sem liberdade, muitas vezes preso em equipamentos de contenção?”, critica Nina.
REFERÊCIAS BIBLIOGRAFICAS:
- Nogueira, Salvador. 2008. Dublês de Corpo. Galileu – O prazer de conhecer. Editora Globo. 38 – 47.
De Vista-se

Por trás dos laboratórios – Parte 1

1. EGOÍSMO ACIMA DA SENSIBILIDADE
Em linhas gerais, o homem busca cada vez mais novas tecnologias para melhorar o seu bem estar. Egoísta e insensível, ele destrói milhares de vidas de outras espécies procurando um maior conforto. Pode-se dizer que praticamente todas as atividades humanas causam danos à outras espécies, tanto as de fauna quanto as de flora, e que ao fazer tantos malefícios, sentimentos como culpa ou arrependimento nem se quer passa pelos homens responsáveis por tais atividades ou por aqueles que consomem produtos relacionados à essas atividades.
Dentre as diversas atividades humanas existentes que danificam milhares de vidas de outras espécies, neste texto, será ressaltado, em especial, o que acontece por trás dos laboratórios que utilizam animais para testes, tentando obter melhorias na medicina e cosméticos. Vale ressaltar que torturas e maldades à animais acontecem constantemente em diversos laboratórios para que o homem tenha uma vida melhor.

2. INSENSÍVEIS EM BUSCA DE MELHORIAS PARA A HUMINANIDADE
A princípio, dentre milhares de laboratórios espalhados pelo mundo, utilizarei como exemplo o da Universidade Duke, na Califórnia do Norte (EUA), cujas atividades de torturas à animais foram desvendadas pela revista GALILEU em 2008, onde macacos “trabalham” com o neurocientista brasileiro, Miguel Nicolelis. Tais símios trabalhadores trazem infinitas esperanças para os seres humanos que sofrem de paralisia. Vale ressaltar que tais “heróis” não podem ser fotografados de acordo com as normas da Universidade, para não despertar a fúria das ações protetoras de animais.
Ponderando o assunto, a Duke explica que os ativistas não iriam entender ao ver macacos indefesos com suas caixas cranianas abertas, porque eles não sabem que na verdade, tais macacos heróis são tratados à pão-de-ló pelos cientistas. Ou seja, para compensar a vida que tais símios levam, os cientistas dão à eles um tratamento cinco estrelas para deixá-los mais felizes. Todavia, o que realmente acontece é que tais símios são tirados de seu habitat natural, passando a viver em laboratórios, onde são utilizados como instrumentos para que o homem possa fazer todos os tipos de testes neles, para tentar achar melhorias na saúde humana, para que o homem seja cada vez mais feliz, mais saudável. Não só estes macacos, mas milhares de outros animais passam a ter, portanto, uma vida totalmente artificial, fora do normal, perturbadora, não saudável, longe felicidade que teriam se vivessem com seus semelhantes e com liberdade no seu habitat natural.
REFERÊCIAS BIBLIOGRAFICAS:
- Nogueira, Salvador. 2008. Dublês de Corpo. Galileu – O prazer de conhecer. Editora Globo. 38 – 47.
De Vista-se

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Estudo: Pessoas negam capacidade de sofrer dos animais para continuar comendo carne

Paradoxo da carne | Um novo estudo acaba de fornecer evidências diretas de que as pessoas que desejam fugir do “paradoxo da carne” – ao mesmo tempo gostar de comer carne e não gostar de ferir os animais – fazem isto negando que os animais que elas comem tinham a capacidade de sofrer. Ao envolver-se na negação, os participantes do estudo relataram uma quantidade reduzida de animais com os quais eles se sentem obrigados a demonstrar uma preocupação moral – a escala variava de cães e chimpanzés até caracóis e peixes.
O estudo foi coordenado pelo Dr. Steve Loughnan, da Universidade de Kent, no Reino Unido, juntamente com colegas da Austrália.
Negar origem da carne
Antes desse estudo, os pesquisadores consideravam que as únicas soluções para o paradoxo da carne era simplesmente parar de comer carne – uma decisão tomada por muitos vegetarianos – ou não reconhecer que animais são mortos para produzir carne.
Embora poucas pessoas tenham realmente tal ignorância, alguns comedores de carne podem viver em um estado de negação tácita, incapazes de associar um bife com uma vaca, bacon com um porco, ou mesmo frango frito com um frango vivo.
O Dr Loughnan explica: “Algumas pessoas optam por deixar de comer carne quando descobrem que os animais sofrem para que se produza a carne. A esmagadora maioria das pessoas, contudo, não para de comer carne. Nossa pesquisa mostrou que uma forma que as pessoas usam para continuar comendo carne é relaxando sua preocupação moral com os animais ao se sentar à mesa de jantar.”
Abrindo mão da moral
O Dr Loughnan também explicou que, em termos gerais, o estudo mostrou que, quando há um conflito entre a maneira preferida de pensar e a maneira preferida de agir, são os pensamentos e padrões morais que as pessoas abandonam primeiro – em vez de mudar seu comportamento.
“Em vez de mudar suas crenças sobre os direitos morais dos animais, as pessoas têm a opção de mudar seu comportamento,” disse ele. “Entretanto, nós suspeitamos que a maioria das pessoas não está disposta a negar a si mesmas o prazer de comer carne, e negar os direitos morais dos animais lhes permite manter-se comendo a carne com a consciência limpa,” diz o cientista.

Fonte: diariodasaude

terça-feira, 3 de agosto de 2010

A arte de largar a bisteca

De Dagomir Marquezi
"Uma da manhã na capital gastronômica do Hemisfério Sul. Estou torto de fome. Pego o carro e vou ao tradicional Ponto Chic, um porto seguro na madrugada de São Paulo. Olho a lista de pratos do dia: "Filé... filé... feijoada... espeto... peito de frango... escalope... peixe à marechal... picadinho... bife grelhado. Frango assado. Peixe grelhado".
- Garçon, por favor... Eu estou morrendo de fome, mas não como carne.
- Não come carne? A gente tem vários pratos com frango. Frango à passarinho, filé de frango à cubana...
- Eu não como nenhum tipo de carne. Nem frango.
- Então, eu posso oferecer pro senhor nosso filé de salmão, a gente tem também a minibacalhoada, ou também nosso atum ao forno...
- Peixe é carne.
O pobre está tentando manter o diálogo com o ser exótico à sua frente. Talvez ele não tenha noção, mas vegetarianos também necessitam de alimentos de tempos em tempos. Imploro:
- O senhor não tem nenhum prato que não tenha carne?
Ele pensa, pensa, pensa mais um pouco. E acha a solução:
- Já sei! A gente tem a omelete mista. Vai queijo, presunto, bacon...
É preciso MUITA determinação para ser vegetariano no Brasil. Estou na pátria das churrascarias, que você encontra em cada quarteirão de qualquer cidade, por mais miserável que seja, com nomes de fundo meio sádico, como "Ao Boi Berrando" ou "Novilho no Espeto". Não estamos representados em centros econômicos mundiais por empresas de alta tecnologia, mas por restaurantes com nomes tipo "Rodeio" ou "Porcão". Não temos revelado ao mundo muitos cientistas, mas marcamos presença com homens de avental, com um espeto numa mão e uma faca sangrenta na outra. O Brasil não exporta softwares, mas é a grande potência mundial da carne de frango. Nesse clima, como escapar da carne? Não quero aqui convencer ninguém a parar de ser carnívoro. Minha briga é para ter o direito de não comer carne. Faço parte de um grupo que cresce cada vez mais, um mercado que ganha espaço nos supermercados, que discretamente inaugura cada vez mais restaurantes. Sei que vou continuar sendo visto como um cara esquisito porque renunciei a um tipo de alimentação. Se sinto falta? Claro que sinto! Não sou cínico de dizer que sinto repulsa ao ver um sanduíche de lingüiça calabresa bem passada na porta do estádio. Por que renunciar à carne como alimentação? Vegetarianos têm a pele esverdeada? É verdade que são tão fracos que mal conseguem abrir a jarra de ban-chá? Vegetarianos conseguem ter ereção? Gostam de sexo? Se acham uma mulher nua no mato, é verdade que comem o mato? Para dar algumas respostas a essas e outras perguntas, preparei para a VIP este pequeno FAQ (Frequently Asked Questions, ou Perguntas Freqüentemente Respondidas) sobre os mistérios do vegetarianismo.


1. POR QUE NÃO COMER CARNE?
Cada um tem sua razão. Eu não como carne porque sei o que isso representa de sofrimento para os animais sacrificados. Tenho a consciência de que, "racional" ou não, sou tão animal quanto um frango ou uma sardinha. Não gostaria que eles fizessem comigo o que os humanos fazem com eles.

2 CARNE NÃO É FUNDAMENTAL PARA A SAÚDE?
Seu médico pode dizer isso. "Pesquisas científicas" também. Existem pesquisas aos montes, aliás provando que carne é o melhor gatilho para doenças cardiovasculares e a porta de entrada para muitos tipos de câncer. Acredite na pesquisa que quiser, mas renda-se aos fatos: milhões e milhões de pessoas pelo mundo não comem carne e vivem em perfeita saúde. (Eu cortei qualquer carne do meu cardápio há um ano e nove meses, e os resultados dos check-ups estão cada vez melhores.) Desde que você use o bom senso e o equilíbrio, a carne não é nem nunca foi obrigatória na dieta de ninguém. Se o seu médico afirma isso, procure uma segunda opinião.

3 VEGETARIANOS SÃO ESVERDEADOS E FALAM MOLE?
Há 50 anos, velhos hippies achavam que podiam sobreviver com doses maciças de alface e arroz integral. Ficaram esverdeados e falando mole. Faltavam a eles proteínas. E proteínas não são monopólio da carne. Você encontra proteínas em soja, leguminosas, frutas, arroz integral, grão-de-bico...

4 VEGETARIANOS TREPAM?
Dizer que carne vermelha aumenta a virilidade do homem é um dos golpes mais baixos da indústria frigorífica. Fala sério. (De novo, a experiência pessoal: a modéstia me impede de descrever como anda minha saúde sexual aos 53 anos de idade.) A verdade é que sobram pesquisas encomendadas para provar os supostos benefícios da carne. Mas parece não existir muito interesse em perguntar às mulheres de vegetarianos se elas andam satisfeitas com seus parceiros.

5 OS ANIMAIS SOFREM TANTO ASSIM?
Sofrem muito mais do que você pode imaginar. A lógica da indústria frigorífica transforma animais vivos e conscientes em simples mercadoria, tratados como se não sentissem dor. Isso, na indústria. Mas a maior parte do mercado de carne do Brasil é abastecido por abatedores clandestinos, de onde não se saiu ainda da Idade Média, e cavalos são pendurados vivos com as patas cortadas para sangrar.

6 MAS OS ANIMAIS NÃO ESTÃO POR AÍ PARA NOS SERVIR MESMO?
Essa é uma questão muito íntima e profunda. Cada um tem sua consciência. Mas não adianta tratar seu cachorrinho com beijos, dizer que "adora animais" e depois ir comer um baby beef ou um foie gras.
7 QUAL O PROBLEMA COM BABY BEEF E FOIE GRAS?
São dois pratos especialmente marcados pela crueldade. O baby beef (e a vitela) vem de um bezerro que é separado da mãe assim que nasce. Ele vive alguns poucos meses num caixote escuro de cimento, sem chance de se mover, e em seguida é abatido. Para produzir o foie gras, gansos são presos, e grandes quantidades de comida são forçadas pelas suas gargantas com um pilão. O foie gras é a pasta de fígados inchados e apodrecidos ainda em vida. Orientais sãos mestres em "pratos cruéis". Japoneses servem peixes ainda vivos, pulando no seu prato. Chineses torturam cães até a morte para que suas carnes fiquem "macias".
8 TÁ LEGAL. CAPTEI A MENSAGEM. EU QUERO FAZER ALGUMA COISA A RESPEITO. E SE EU NÃO CONSEGUIR CORTAR TODA A CARNE DE MINHA DIETA AMANHÃ?
Existem muitas gradações para quem quiser tomar uma atitude. Você pode começar banindo já esses "pratos cruéis". E não ampliando o consumo de espécies. (Apesar das campanhas geralmente inúteis para que você coma "carnes exóticas", como as de avestruz e jacaré.) Em seguida, você pode ir cortando: primeiro a carne de porco, depois a carne vermelha, depois o frango, em seguida o peixe. (Eu, por exemplo, ainda estou na categoria dos lacto-ovo-vegetarianos. Na hora do aperto, apelo para uma omelete de queijo na boa.)
9 E SE BATER AQUELA SAUDADE DAS VELHAS DELÍCIAS?
Aí é preciso lembrar que só uma parte dessas delícias é a carne em si. Elas incluem molhos, acompanhamentos, ingredientes que fazem o resto do show. Se você encarar uma feijoada vegetariana, vai ver que está quase tudo lá: o arroz, a couve, a farofa, o molho apimentado, o feijão preto, a caipirinha. No lugar das lingüiças e paios, está a santa soja. É a mesma coisa? Claro que não. Por um lado, é menos saboroso. Por outro lado, muito mais saudável.
10 COMER CARNE PREJUDICA SÓ OS ANIMAIS?
Não. A Amazônia está sendo destruída para que a floresta vire o pasto dos bois que vão virar seu filé. Queimamos quase um Sergipe por ano para manter uma fartura artificial de carne. Se você não se importa com isso, bom apetite.
11 EXISTE JUNK FOOD VEGETARIANA?
Sim, com a diferença que não é junky. Faz bem à saúde. Se existem dois produtos que "enganam" bem, são as salsichas e os hambúrgueres à base de soja. Um cachorro-quente com salsicha vegetal fica realmente parecido com o "normal". Depende de como você faz. Em noites de tentação junky, eu peço um sanduíche duplo de hambúrguer (de soja) com queijo, alface, cebola, tomate, maionese e ainda mando ver no ketchup e na mostarda enquanto traço umas fritas. Daí encomendo meu colegial de chocolate para depois. Que diferença real faz do que eu comia no balcão do BurDog quando era carnívoro?
12 É FÁCIL ENCONTRAR RESTAURANTES VEGETARIANOS?
De jeito nenhum! Mesmo em cidades como Rio e São Paulo, eles são raros. Para piorar, geralmente só abrem no almoço. É como se vegetarianos não jantassem. Uma lista de opções pode ser encontrada no site Sitio Vegetariano (www.vegetarianismo.com.br). Se estiver com muita fome de noite, vá a uma churrascaria! Ela costuma oferecer grandes mesas de saladas, fora os acompanhamentos.
13 EXISTEM VEGETARIANOS FAMOSOS OU SÃO TODOS ANÔNIMOS ESCONDIDOS?
No Brasil, temos alguns exemplos conhecidos: Lobão, Rita Lee, Éder Jofre, Lucélia Santos, Patrícia Travassos, Fernanda Lima. Fora daqui: Anthony Kiedis (do Chili Peppers), Chrissie Hynde, Billy Idol, Bob Dylan, Brandi, Desiree, Eddie Vedder (do Pearl Jam), Elvis Costelo, Erykah Badu, Janet Jackson, Paul McCartney, Seal, Ziggy Marley, Fiona Apple, o DJ Moby, Shania Twain, Jeff Beck, Brian May (do Queen), Pink, Justin Timberlake, Steve Vai, Kim Basinger, Penelope Cruz, William Dafoe, David Duchovny, Jorja Fox, Woody Harrelson, Natalie Imbruglia, Tobey Maguire, Natalie Portman, Reese Whiterspoon, Pamela Anderson. Você ainda é capaz de imaginar vegetarianos como um bando de anêmicos sem saúde vendo uma foto de Pamela Anderson?
14 O VEGETARIANISMO É UM FENÔMENO RECENTE?
Pitágoras era vegetariano no século 6 antes de Cristo. Sócrates também, Platão, Leonardo da Vinci, León Tolstoy, Albert Einstein. (E os carnívoros são então "mais espertos"?)
15 SER VEGETARIANO É UMA GARANTIA DE SANTIDADE?
Charles Manson era vegetariano. Adolf Hitler também. Respondido?"

Arnaldo Jabor critica a proibição das touradas na Catalunha

Recentemente, o colunista e polemicista profissional Arnaldo Jabor resolveu nadar contra a corrente e defender as touradas na Espanha, criticando a decisão ética da Catalunha de proibir esse barbarismo em sua região (ouça aqui a declaração feita pelo jornalista a favor das touradas, na rádio CBN).

Ele começa sua fala se desculpando aos membros da proteção e defesa animal, e segue em tom debochado afirmando que “ama” as touradas.

Jabor utiliza os mesmos argumentos das forças conservadoras e corruptas que vivem de subsídio da União Europeia que têm interesse em manter esse derramamento de sangue: ele afirma que gosta das touradas, pois seriam um mito nacional espanhol, e que a decisão pela proibição teria sido apenas uma estratégia tola ou uma mera conveniência política.

Jabor esqueceu de fazer seu dever de casa ao escrever a coluna. Ele disse, por exemplo, que tanto o toureiro quanto o touro correm risco de morte. Mentira. Os touros são dopados e mantidos no escuro antes de entrar na arena. Eles não têm chance contra o toureiro; o jogo é armado contra eles. Além do mais, nos raros casos quando o toureiro é ferido, os paramédicos correm para salvar sua vida.

Jabor diz, também, que tourada é arte. Uma arte baseada na violência? Já pensou se o cinema precisasse fazer uma guerra real para produzir filmes sobre guerra? Arte tem a ver com imaginação, consciência e não com exibições kitsch de falocentrismo e violência.

Outro erro de raciocínio que Jabor faz em defesa das touradas ocorre ao afirmar que quem come carne não pode ser contra esse barbarismo. Esse é um recurso típico de quem pretende calar qualquer manifestação a favor dos animais e justificar uma violência com outra. Ele ignora o fato de que muitas pessoas que são contra touradas são veganas. Quem consome carne e é contra touradas não está sendo hipócrita, apenas incoerente. Não existe paralelo entre os mecanismos de condicionamento cultural que induzem as pessoas a comer carne e a escolha que um indivíduo faz de ir a uma arena assistir ao assassinato de um animal. São duas violências distintas.

A tourada nada mais é do que uma demonstração do fascismo humano sobre os animais não humanos. Não é à toa que Franco adorava touradas e via nela um elemento-chave da identidade do seu reino de terror. A Catalunha fez a coisa certa ao excluir essa violência do seu território, historicamente muito mais de vanguarda do que o resto da Espanha. Se foi por motivos de compaixão ou por proteção de sua identidade cultural, não importa. As vitórias de direitos civis em geral foram ganhas por motivação econômica e social, e não porque a humanidade é ‘boazinha’. O importante é o efeito prático da decisão, que será uma realidade de menos animais assassinatos nas arenas da Espanha.

Mais uma vez, parabéns à Catalunha pelo exemplo dado ao resto da ‘mãe Espanha’, como Jabor diz. Uma boa mãe trata bem seus filhos, inclusive os não humanos.
De ANDA

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Piramide alimentar vegana

Nas palavras do nutricionista Dr Eduardo Buriola, no link www.vista-se.com.br/nutricao: “Uma das perguntas que recebo com mais freqüência é de pessoas querendo saber o que substitui a carne e o leite, sem dúvida que elas têm boa intenção com o questionamento, afinal somos “bombardeados” com informações de que esses dois alimentos de origem animal são fundamentais para a nossa boa nutrição. Costumo iniciar a minha resposta com a seguinte frase: “Nenhum alimento contém todos os nutrientes, assim como nenhum nutriente esta em apenas um alimento”. O que eu quero dizer com isso é que o mais importante em uma dieta é a variedade, equilíbrio e a sua composição ao longo do dia e não o consumo de um ou outro alimento isoladamente.”
Esta pirâmide foi divulgada há alguns meses na Revista dos Vegetarianos com a consultoria da Nutriveg, do Dr George Guimarães.
Fonte: Vista-se

Loving Hut: Rede internacional de 125 restaurantes veganos chega ao Brasil

Agora em Goiânia-Go uma novidade promete mudar o conceito de alimentação saudável de muita gente que não acredita que seja possível comer bem desfrutando de cardápios totalmente livres de carnes de nenhuma espécie animal e sem conter ovos ou leite em suas receitas. É a chamada Alimentação VEGANA. Alimentação vegetariana estrita, exclui da sua dieta carnes, gelatina, laticínios, ovos, mel e quaisquer alimentos de origem animal. Faz-se uso basicamente de cereais, frutas, legumes, vegetais, hortaliças, algas, cogumelos e qualquer produto, industrializado ou não, desde que não contenha nenhum ingrediente de origem animal. Uma maneira saborosa , colorida  e rica em propriedades nutritivas.
Estamos falando do Loving Hut – Uma Rede Internacional de Restaurantes Veganos com unidades inauguradas recentemente  em todo o mundo, como na Austrália, Estados Unidos, Hong Kong, Tailândia, Mongólia, Panamá, Japão, Reino Unido, França, Canadá, Indonésia, Coréia, entre outros ( www.lovinghut.com – fotos das unidades ). O Loving Hut foi criado com uma visão de que todos os seres podem viver em paz, amor e harmonia uns com os outros e com o planeta. É um convite à cozinha gourmet feita com saudáveis ingredientes veganos, oferecendo um ponto de partida acessível para aqueles que estão fazendo a nobre transição para uma dieta à base de vegetais e compassiva aos animais, contribuindo assim para uma saúde muito mais equilibrada e para o controle e diminuição da degradação do ecossistema global.
O Restaurante LOVING HUT está em seu período de pré-inauguração em Goiânia. Contará com o apoio de médicos naturalistas, como a homeopata e pediatra Drª  Amélia Fortunato Chaves e o pediatra Dr. Erwin Serrano Madrid, que há anos defendem e recomendam a dieta vegetariana como forte aliada à prevenção de doenças . Wanessa Jorge colabora como engenheira de alimentos e Yi Ping Lai Yi como instrutor para a elaboração dos pratos e cardápio, que hoje conta com versões tradicionais e especiais de yakisoba, xadrez vegetariano, agridoce, curry e yakimexi.

Site brasileiro: www.lovinghut.com.br
Fonte: Vista-se

segunda-feira, 26 de julho de 2010

A Bíblia preconiza o vegetarianismo

Sejamos judeus, cristãos ou muçulmanos, a fonte de nossa inspiração religiosa é a Bíblia. Mesmo os muçulmanos, que adotam outro livro sagrado, reconhecem a Bíblia como cânone. Ateus e agnósticos, embora não creiam diretamente em textos sagrados, são influenciados por estes visto que estão inseridos em sociedades que foram moldadas utilizando-os como inspiração. Vivemos em sociedades laicas, mas a religião, ainda que não praticada, influencia o pensamento e, em parte, o comportamento.
A costumeira justificativa religiosa para o especismo é baseada numa breve passagem bíblica que explicaria nossa natureza semi-divina e nosso direito sobre as demais espécies. Em Gênesis 1:26, está escrito: “Também disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra.”.
No entanto, a Bíblia é um livro complexo e permite múltiplas interpretações, além de versões e traduções.
Se verificarmos o original em hebraico, veremos que o que tem sido traduzido como “ter domínio” é a palavra “yirdu”. “Yirdu” poderia ser melhor traduzido como “descerão”. Fosse a intenção do autor do original hebraico de fato transmitir a idéia de domínio na criação, a palavra que deveria ser empregada seria “shalthanhon”. Nem mesmo a idéia de governo benévolo do homem sobre as demais criaturas é passada neste versículo, visto que a palavra que a Bíblia usa quando se refere ao domínio pacífico é “mashel”.
Porém, o que vemos é que foi empregada a palavra " yirdu", que permite uma outra tradução do versículo: “Disse Deus: façamos o homem à nossa imagem e semelhança; e descerão para os peixes do mar, e para as aves dos céus, para os rebanhos e para toda a terra e para todo réptil que rasteja sobre a terra”. Se seguirmos essa tradução, que é mais fiel ao original, podemos interpretar que a intenção da Bíblia pode ter sido mostrar que Deus criou o homem de uma maneira especial, mas que o homem desceria (ou seja, seria igualado) para a condição de um animal.
Mesmo a continuação do livro parece apoiar esta idéia. Em Gênesis 1:28, costumamos ver o versículo traduzido desta forma: “E Deus os abençoou e lhes disse: sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.”. Novamente, a palavra “desça” aparece traduzida como “domine”. O que aparece nesse versículo como “sujeitai-a” é a palavra “kibshah”, que significa preservar. Fosse de fato a intenção do autor transmitir a idéia de “sujeitar” ele teria empregado a palavra “hichriach”.
A tradução literal deste versículo seria: “E abençoou-os Deus e lhes disse Deus: fecundem-se, tornem-se muitos, encham a terra e preservem-na; e desçam para (a condição dos) peixes do mar, e para as aves dos céus e para todo animal que rasteja sobre a terra”.
Esta idéia de que homens e animais estão em pé de igualdade perante Deus encontra-se em Eclesiastes 3:18-21: “Disse ainda comigo: é por causa dos filhos dos homens, para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos como os animais.  Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade. Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão. Quem sabe se o fôlego de vida dos filhos dos homens se dirige para cima e o dos animais para baixo, para a terra?”
A intenção aqui não é, porém, estender-me em uma tradução revisionista de todo o texto bíblico, mas sim demonstrar que erros de tradução levam a erros de interpretação. Já foi demonstrado muitas vezes que a Bíblia pode ser utilizada para defender qualquer idéia. Pela tradução tendenciosa do versículo de Gênesis 1:26, nasceu toda a concepção de que o homem é um ser semi-divino e tem o direito de sujeitar ao seu domínio todos os demais seres da criação, sujeitar a Terra. Mas e se a intenção do autor tivesse sido outra?
Gênesis 1:29 e 1:30 apresentam a primeira lei dietética estabelecida por Deus para o homem e para os outros animais “E disse Deus: Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão sementes e se acham na superfície de toda a terra, e todas as árvores em que há frutos que dão sementes; isso vos será por alimento. E a todos os animais da terra, e a todas as aves dos céus, e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento. E assim se fez.”.
Esses versículos demonstram que não era a intenção original de Deus, pelo menos segundo o livro de Gênesis, que o homem matasse animais para comer. A dieta vegana era a consistente com o plano original de Deus. Apesar disso, quantas pessoas não lêem esses versículos diariamente e deixam de refletir sobre seu significado?
O Talmud, coleção de comentários e compilações da tradição oral judaica, reforça a idéia bíblica de que, se no princípio o homem não comia carne, era porque a intenção original de Deus era que este e os demais animais fossem vegetarianos. De fato, escreveram sobre esse assunto muitos comentadores bíblicos, entre eles Rashi (1040-1105), Abraham Ibn Ezra (1092-1167), Maimônides (1135-1214), Nachmanides (1194-1270) e Rabi Joseph Albo (séc. XV).
A Bíblia conta (Gen. 2:8) que quando Deus criou o homem, colocou-o para habitar no Jardim do Éden. Nesse jardim, foi ordenado que o homem se servisse dos frutos de toda árvore (Gen. 2:16), exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal (Gen. 2:17). Devido ao pecado original, o homem foi expulso do jardim e recebeu também a permissão para comer as ervas do campo (Gen. 3:18). Poderia-se até dizer que a Biblia sugere que Deus criou o homem frutariano, e depois o fez vegano.
Conforme a genealogia apresentada em Gênesis 5, entre Adão e Noé passaram-se dez gerações. Segundo a Bíblia, nos tempos de Noé, Deus resolveu destruir tudo com um dilúvio, porque toda a criação havia se corrompido. Noé encarregou-se de construir uma arca e salvar sua família e alguns exemplares de cada espécie animal. Conta a Bíblia que, quando as águas baixaram, seres humanos e demais animais saíram e constataram que a terra estava seca.
Podemos, porém, imaginar que, após mais de um ano submersa, já não havia sobre a terra vegetação suficiente para sustentar a todos. Foram Noé e seus filhos, segundo a Bíblia, os primeiros seres humanos que comeram carne.
Toda a harmonia que havia prevalecido entre os homens e demais animais no paraíso, após a expulsão e durante o período do dilúvio, segundo a Bíblia, deixou de existir. “Pavor e medo de vós virão sobre todos os animais da terra e sobre todas as aves dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar nas vossas mãos serão entregues.” (Gen. 9:2).
Naquele momento, passaram a existir animais herbívoros e carnívoros, e o homem tornou-se onívoro:“Tudo o que se move e vive ser-vos-á para alimento; como vos dei a erva verde, tudo vos dou agora.” (Gen. 9:3). A frase “como vos dei a erva verde” reforça que até então eles só tinham autorização para serem veganos. Seria, porém, esta concessão pontual motivo para justificar que comessemos carne até os dias de hoje?
Segundo Rav Kook, primeiro grão-rabino de Israel, não podemos ver essa permissão para comer carne, dada a Noé em uma situação específica, como uma concessão a toda a humanidade posterior. Em sua interpretação, estava claro que se tratava de uma permissão efêmera, até que a terra voltasse a produzir o alimento. A situação em que Noé se coloca é a de um homem perdido em uma ilha deserta, sem muitos recursos à disposição.
O período das dez primeiras gerações descrito em Gênesis foi, portanto, de pessoas vegetarianas, e a Bíblia mostra que o homem só começou a consumir carne quando condições ambientais o forçaram a tal.
Há um segundo período segundo o qual o autor da Bíblia mostra que Deus pretendia tornar o homem novamente vegetariano. As escrituras contam que, quando os israelitas saíram do Egito, o plano de Deus era que aquele povo recém-liberto da escravidão vagasse pelo deserto pelo tempo necessário para que se purificasse. Foi lhes dado um alimento que caia do céu, que era “como semente de coentro, branco e de sabor como bolos de mel” (Êxodo 16:31, Números 11:7).
Esse alimento, simples, mas completo nutricionalmente, deveria sustentá-los pelo tempo que permanecessem no deserto (40 anos), pois em Êxodos 16:35 está escrito “E comeram os filhos de Israel manah quarenta anos, até que entraram em terra habitada; comeram manah até que chegaram aos limites da terra de Canaã.”.
No entanto, durante a travessia do deserto, alguns incidentes ocorreram. As pessoas começaram a reclamar de sua dieta puramente vegetariana: “Agora, porém, seca-se a nossa alma, e nenhuma coisa vemos senão este manah” (Num 11:6).  Por outro lado, pediam novamente pelos alimentos que consumiam no Egito – carne e peixes, entre outros (Num. 11:4-5).
A contra gosto, Deus atendeu às reclamações, providenciando carne sob a forma de codornizes, que foram sopradas pelo ventos dos mares. Porém, logo depois, Deus puniu aquelas pessoas, por não aceitarem de bom grado o alimento perfeito que Ele lhes oferecia: “Estando ainda a carne entre os seus dentes, antes que fosse mastigada, quando a ira do Senhor se acendeu contra o povo, e o feriu com grande praga.” (Num. 11:33).
O lugar onde ocorreu esse incidente foi batizado de “Kivrot Hataava”, que em português significa Tumbas da Luxúria, porque foi o desejo de luxo daquele povo, e não sua necessidade, o que os levou à morte (Num. 11:34).
Essa passagem referente ao manah traz uma idéia de que poucos se dão conta: o alimento que nos é destinado é bastante simples, pode ser encontrado em abundância e nos mantém saudáveis. Por outro lado, quando buscamos alimentos que não nos são apropriados, perecemos.
Atualmente sabe-se, por diversas passagens, que a Bíblia permite o consumo de carne. No entanto, esse consumo se dá mais na base da concessão do que de uma recomendação, como se Deus dissesse: “O ideal é que o homem não coma carne, mas já que ele quer...”.
Por isso, a Bíblia estabelece alguns impedimentos que, em conjunto, são chamados de leis relativas à kashrut: a carne deve estar completamente livre de sangue (Levítico 17:10-14, 19:26; e Deuteronômio 12:16, 12:23, 15:23), somente podem ser consumidos animais considerados puros (Levítico 11), e o abate de um animal deve obedecer a um determinado ritual (Levítico 17:4).
As escrituras relacionadas refletem a observância escrupulosa de muitas regras, mas tão somente no que se refere ao consumo de produtos de origem animal. As únicas condições impostas ao consumo de alimentos de origem vegetal é que estes estejam limpos, o que é facilmente compreensível, do ponto de vista sanitário.
Qual a mensagem da Bíblia, com todas essas proibições ao consumo de alimentos de origem animal? Tornar esse consumo mais refletido, duro, impraticável. É quase impossível cumprir com todas as regras impostas pela Bíblia para o consumo de carne
Justamente nisso está a graça. Com tantas regras, Deus parece de novo estar dizendo “O homem não deve comer carne”.Quando a Bíblia faz referência à generosidade divina (Deut. 8: 7-10; Deut. 11:14; Salmos 72:16, Amos 9:14-15; Jer. 29:5; Isaías 65:21), os produtos mais freqüentemente citados são os frutos, vegetais, sementes, vinho e pão, mas jamais as carnes.
Tal qual no Jardim do Éden, em que nem o homem nem os animais comiam carne, a promessa bíblica é a de que, com a vinda do Messias, novamente o mundo se tornará vegetariano. “O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o filhote do leão e o animal doméstico andarão juntos, e um condutor pequeno os guiará.  A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão como o boi comerá palha. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco.” (Isaías 11: 6-8). Continua Isaías (65:25): “O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; pó será a comida da serpente. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o SENHOR.”.

Fonte: Anima

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Unilever e os testes em animais

"Ao ser indagada sobre sua postura sobre testes em animais, a Univeler Brasil responde sempre com um e-mail padrão “cheio de rodeios”. A Unilever é uma das maiores empresas do mundo e é detentora de muitas – mas muitas mesmo! – marcas conhecidas de alimentos, produtos de higiene etc. Veja aqui todos os produtos da Unilever. O e-mail reproduzido abaixo é padrão de resposta deles há anos. O que aocntece é: A Univeler Brasil não faz testes em animais mas a Unilever como “company”, internacional, faz. Ou seja, a empresa faz testes em animais. Em resumo: os produtos da Unilever torturam animais de outros países e não brasileiros. Isso é o que eles querem dizer no e-mail “cheio de rodeios”.
Olá, Fulano!
Obrigada por nos contatar e dividir conosco o ocorrido em sua empresa e também sua opinião. No entanto, é importante informar que na Unilever Brasil não são realizados testes com animais.
A Unilever, presente em mais de 150 países, compartilha da preocupação com a eliminação de testes em animais no desenvolvimento de produtos. Assim, a política mundial da empresa sobre o assunto, que se aplica igualmente no Brasil, é baseada em dois princípios:
I – A empresa está empenhada na eliminação total de testes com animais em seus produtos;
II – Por outro lado, a empresa está igualmente comprometida com a segurança dos seus consumidores, dos seus funcionários e também do público em geral. A empresa procura oferecer produtos seguros e que não agridam ao meio-ambiente.
Para conciliar estes dois aspectos, a Unilever trabalha em colaboração com outras empresas e centros de pesquisas, desempenhando um papel de liderança nos principais projetos internacionais, associações comerciais e organismos governamentais em todo o mundo, no sentido de desenvolver métodos alternativos de testes (em laboratórios ou modelos computadorizados). Os métodos alternativos fornecem informações necessárias para uma avaliação segura do produto e do ingrediente, sem o uso de animais vivos.
Ao adotar esses procedimentos, a empresa torna público seu compromisso no desenvolvimento de métodos de pesquisa alternativos e sua preocupação com os seus consumidores e o meio ambiente.
Sempre que precisar, fale conosco.
Atenciosamente,
Funcionária Exemplo
Serviço de Atendimento ao Consumidor
Unilever Brasil Ltda."

Fonte: Vista-se

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Diário de uma gravidez vegana

Uma jornalista vegana de 31 anos e grávida pela primeira vez resolveu escrever detalhadamente em um blog como é seu dia-a-dia. Hoje a criança já nasceu mas o blog é uma fonte muito rica de experiência para as futuras mamães e papais. “Um monte de gente me pede para escrever sobre gravidez e veganismo. Demorei 9 meses para fazer isso porque eu simplesmente não via nada demais em estar grávida e ser vegan! Essa é minha dieta e estilo de vida há mais de 10 anos, e acho que estou tão acostumada às suas implicações que a gestação só mudou para mim o que mudou para todas as outras gestantes: maior preocupação em ser saudável, restrição a alguns tipos de alimentos (tipo cafeína), aumento na quantidade de outros (tipo couve), comer chocolate para sentir o bebê mexer, e assim por diante. Eu simplesmente não sabia o que escrever, então decidi DEScrever minha experiência. Espero ajudar outras veganas barrigudas!” Trecho de Grávida e Vegan.
Acesse o Blog: diariodeumagravidez
Twitter
De Vista-se

Conscientização ambientalista e animalista: reações furiosas, paradigmas de pensamento e preconceitos

Algo muito visto hoje em dia é a rejeição ofensiva aos ideais do ambientalismo e do abolicionismo animal. Muita gente, mesmo algumas pessoas que se dizem politizadas e ávidas por um mundo melhor, quando se deparam com um debate sobre direitos animais e a interrupção do modelo tradicional insustentável de desenvolvimento econômico num blog ou fórum de debates públicos, costuma reagir com desdém e até grosseria aos argumentos apresentados. Tentarei abaixo descrever melhor minha experiência recente convivendo com esse comportamento e especular por que ele acontece.
Tenho visto, em diversos debates lançados por mim ou por outros defensores ambientalistas ou animalistas, que as reações mais frequentes vão do desdém raivoso (“Vai arrumar o que fazer, vai arrumar mulher!”, “De novo esses ecochatos?!”, “Esses vegans são uns pentelhos mesmo…”, “Quanta frescura, quanta ecochatice!”, “por que você não experimenta viver sem remédios?” etc.) à contra-argumentação ofensiva, na qual uma troca de argumentações até acontece, mas o lado receptor termina descambando no baixo nível, com agressividade e ataques ad hominem. Isso sem falar no clássico “Enquanto crianças estão morrendo de fome, você vem falar de animais (ou de mato)?!”
Nos meus debates mais recentes (este artigo é de julho de 2010), em que abordei o desmatamento do estuário onde se localiza o Porto de Suape e a campanha do governo e de organizações científicas em favor do uso de animais em pesquisa, percebi a mesma linha de reações. Ainda houve uma contraparte de pessoas que apoiaram meu discurso e até tentaram defendê-lo para os opostos – bem menor no caso do texto sobre a experimentação animal –, mas terminou prevalecendo a reação raivosa.
Em vez de pessoas desejosas de conhecer a ideia e pensar um pouco melhor se o que pensavam até então não era algo tão óbvio, ou querendo expor contra-argumentos num debate civilizado em que se dissesse, por exemplo, “Veja bem, não é assim como você pensa, porque…”, o que vi foi infelizmente uma demonstração forte de incômodo com o que foi exposto. A ideia exposta, mesmo que não fizesse apologia a qualquer forma de violência, injustiça ou supremacismo – muito pelo contrário, observe-se – nem incidisse em acusações injustas, gerou um furor contagiante, com acusações de “choradeira” e “criticar por criticar”, ironias e outras formas de desdém.
Algumas pessoas opostas, mesmo de forma agressiva, mostraram seus pontos de vista, cuja compilação posso resumir em dois tópicos:
- O progresso é essencial à humanidade, mesmo que seja promovido a qualquer custo, mesmo que destrua todo o verde do mundo. Não há meio termo, mas sim uma dicotomia inviolável: ou se devasta e se polui tudo aquilo que seja “necessário” derrubar e contaminar para salvar os seres humanos da pobreza e do atraso, ou se preserva o verde que resta, fazendo a civilização correr o risco de cair na estagnação ou mesmo na retração tecnológica.
- Os interesses dos seres humanos são supremos no planeta, pelo fato de o ser humano ser a espécie superior e dominante. Mesmo dez mil animais não-humanos, tais como camundongos “de laboratório” ou bois do gado “de corte”, não valem o que uma única pessoa vale. Assim sendo, é perfeitamente justificável infligir sofrimento e morte aos bichos que servem à humanidade (como carne ou como cobaias) para que esta seja poupada de sofrer e não seja privada de suas necessidades.
E alguns expressaram: quem se opusesse a esse pensamento deveria seguir uma vida silvestre numa floresta, afastado de qualquer tecnologia, e recusar qualquer tratamento medicamentoso, mesmo que morresse nessas condições.
Além disso, houve muitas cobranças de que eu mostrasse alternativas prontas – ou disponíveis a curto prazo – e obviamente aprováveis tanto à destruição da vegetação estuarina que rodeia Suape como às experiências em cobaias. Se eu não as mostrasse, meus argumentos não valeriam de nada, seriam vazios, nada além de um inócuo “criticar por criticar”. Ignorou-se (reconheço também que deixei de expor esse detalhe) que já há militantes das causas atuando para trazer, a médio ou longo prazo a despeito das cobranças dos críticos, essas alternativas, e que estas invariavelmente requerem tempo, interesse generalizado, empenho, paciência e, acima de tudo, uma teoria ética pré-existente que justifique tal trabalho material.
A impressão que dá é que a teoria não pode influenciar a realidade e só pode ser gerada e exposta quando existir um precedente material pronto, ignorando-se que a teoria é que justifica a criação do material que, uma vez aplicado, servirá de alternativa ao paradigma destrutivo.
Não condeno ninguém por manifestar tais atitudes nem comento particularmente cada um que as manifestou, até porque não é costume meu falar de pessoas, mas sim de ideias. Mas posso analisar o paradigma social por trás de tudo isso.
Percebe-se que ainda prevalece com força na sociedade o pensamento antropocêntrico e imediatista, pelo qual vale tudo para se garantir o bem-estar dos seres humanos de hoje, em detrimento dos seres não-humanos e mesmo dos interesses das gerações humanas futuras. O que vale são as pessoas de hoje, que vivem agora.
Terminam assim excluídos do círculo moral prevalente os humanos do futuro, que no presente nada mais são do que personagens inexistentes, restritos neste instante à mera imaginação humana e cuja existência futura não é sequer certa, e os animais do presente, que, não tendo concepções racionais de senso moral nem capacidade de verbalizar seus interesses, sentimentos e sofrimentos, são julgados seres inferiores, entes marginais perante as supremacistas vontades humanas e exploráveis em prol do engrandecimento da vida humana atual.
Há uma carência crônica de senso de alteridade, de capacidade ético-moral para se pôr no lugar de outrem – do boi que sente cheiro de sangue e muge alto às portas do matadouro, do camundongo que sibila sofrendo de câncer ou do indivíduo humano que, nascido no século 22, encontra condições ambientais degradadas e hostis demais para permitir uma vida minimamente confortável.
Não se tem o costume de pensar que, em vez de camundongos ou caranguejos, os seres ameaçados e tratados como inferiores poderiam ser (ou melhor, às vezes são) os próprios humanos. O mesmo indivíduo que esculacha “ecochatos” não se põe na pele, por exemplo, de um pescador que, mesmo morando a dezenas de quilômetros de Suape, será alheado de seu ganha-pão pela escassez de peixes no mar de Boa Viagem ou de Candeias, onde pesca. O mesmo que desqualifica com ad hominem o defensor animal contrário à vivissecção não se dá ao trabalho de imaginar que poderia ter nascido como um cão “de laboratório”, preso perpetuamente num canil individual e submetido a experiências tortuosas, em vez de como humano livre.
Além do interesse imediatista e egoísta e da carência de alteridade, é marcante o aprisionamento das ideias das pessoas a dicotomias que não dificilmente se mostram falsas – por exemplo, ou o camundongo ou o ser humano, não havendo possibilidade de ambos saírem vivos e sãos mesmo num futuro próximo; ou o mangue ou o desenvolvimento de Suape, não existindo a alternativa do desenvolvimento sustentável que poupe o manguezal e redefina a posição geográfica das indústrias do futuro. Para se livrar desse pensamento dicotômico, a pessoa exige que sejam apresentadas alternativas prontas para serem aplicadas, ignorando-se, repito, que a teoria é essencial para que haja a criação material das novas opções.
E a grosseria, a reação raivosa, a disposição de atacar em vez de questionar ou debater? Posso atribuí-la ao apego visceral ao modelo de vida vigente, paralelamente aos preconceitos existentes sobre os ambientalistas e defensores dos animais. Acha-se erroneamente que os “ecochatos”, aqueles que denunciam mas não dão alternativas a priori prontas, querem abolir as tecnologias poluentes sem dar uma contrapartida sustentável e ameaçam o progresso econômico em curso, sendo ignorados em seus apelos ao desenvolvimento sustentável.
Da mesma forma, os defensores animais, cada vez mais generalizados pelo lado mais maldoso do senso comum como “vegans” (forma inglesa de “veganos”, usada muitas vezes em tom de menosprezo), são vistos como gente que prefere a vida animal não-humana à humana, ignorando-se que a defesa da libertação animal é pela igualdade moral das espécies sencientes, não pela inversão do desequilíbrio da balança, e também que a argumentação antivivisseccionista leva em conta que é a pressão ativista que irá inspirar alternativas de pesquisa.
Nesse preconceito inclui-se também a rejeição a tudo aquilo que supostamente ameace o status quo de desenvolvimento, “avanço” científico, bem-estar e conforto. Não se pensa que a proposta é mudar o sistema, reformando aos poucos os métodos de desenvolver e pesquisar, mas sim que é acabar com ele e não deixar nada no lugar, o que gera medo e reação viscerais. Pois, afinal, quem traz ideias “idiotas” e “absurdas” tem mais é que ser esculachado e ridicularizado – pensa-se. Poucos conseguem canalizar esses sentimentos de modo a questionar racionalmente a validade dos argumentos ambientalistas e animalistas.
São esses preconceitos e as reações raivosas de muitos leitores que tornam a conscientização um fardo para quem a conduz. Uma vez que faltam às pessoas o sentimento da alteridade e noções básicas de direitos animais e ambientalismo sustentabilista, faz-se necessário que os conscientizadores trabalhem em introduções ou recomendem artigos ou livros que introduzam a esses assuntos.
Que fique claro, todavia, que a reação antipática não deve intimidar quem conscientiza. Houve resistência furiosa em outros momentos da história – por exemplo, à conquista de direitos civis pelas mulheres e à abolição da escravidão humana –, e estamos em um momento semelhante, em que há um mundo melhor no horizonte e este só será conquistado com persistência e cabeça fria.

Entenda mais sobre o veganismo

Por: Priscilla Prates O veganismo, filosofia que tem por objetivo ético a não utilização de produtos de origem animal, vem aderindo cada vez mais adeptos. Atualmente, estima-se que cerca de 5% de brasileiros, em torno de 7,6 milhões de pessoas, seja vegetariana. De acordo com o Instituto Ipsos Brasil, 28% da população brasileira tem buscado consumir menos carne.
Há dois anos, a publicitária Milena Pacheco tornou-se vegana. Ela explica que além de carnes, os veganos excluem ovos, leite, e qualquer produto de procedência animal da alimentação, como gelatinas e mel. "O veganismo vai além da dieta e atua no boicote a eventos ou produtos de empresas que causam a morte ou o sofrimento animal, como peças de vestuários que contenham peles, incluindo couro e camurça, ou outros materiais provenientes de animais, como marfim e lã", fala.
O veganismo não incentiva nenhuma forma de escravidão animal. Os veganos, também, não passam mais a freqüentar zoológicos e deixam de comprar bichos de estimação e produtos testados em animais, incluindo remédios, cosméticos e artigos de limpeza.  
A Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) estima que, por semana, dois mil brasileiros se tornam vegetarianos. Apesar do número de adeptos a esta filosofia estar em ascensão, os veganos são considerados por muitos como radicais e ainda sofrem preconceitos. "A maioria das pessoas não entende, faz piada e nos acha diferentes dos outros", comenta Milena.
Mesmo após adotar o vegetarianismo algumas pessoas voltam a consumir carne e seus derivados por diversos motivos. A psicóloga Francine Guerra de Luna diz que optou por virar vegetariana com o objetivo de evitar o sofrimento e morte de animais. "Acredito que quando nos alimentamos deles, também  ingerimos seu sofrimento. A prática da Raja Yoga foi outro fator importante para a tomada dessa decisão, pois a digestão da carne é lenta e exige grande gasto energético que poderia ser melhor direcionado para a meditação",  explica.
Mas ela voltou a comer carne durante a sua gravidez.  "Quando engravidei o meu obstetra disse que eu poderia continuar vegetariana, mas corria o risco de desenvolver um acretismo placentário, caracterizada como implantação da placenta no segmento inferior do útero, cobrindo total ou parcialmente o orifício cervical. Em condições normais da gestação, a placenta é implantada no segmento superior do útero. Neste momento fiquei com medo de prejudicar a gestação e  o mito da falta de nutrientes para uma dieta vegetariana falou mais alto".
Aos interessados no veganismo, Milena dá algumas dicas: "Buscar informações com quem já conhece o assunto é sempre uma forma mais fácil, rápida e segura, e se a pessoa mora na mesma cidade que você, pode te passar várias dicas de locais para comer ou comprar produtos naturais/vegetais.  
A técnica em Nutrição e Dietética, Gabriela Mantovani explica que o vegetariano deve ter muito cuidado com sua alimentação e variedade no consumo dos alimentos. "É preciso procurar ingerir aqueles que são fontes de vitaminas, minerais e outras de proteínas, principalmente de alto valor biológico, ou seja, que contenham todos os aminoácidos que o organismo não produz e necessita para um bom desenvolvimento". Estas proteínas, de acordo com Gabriela, podem ser encontradas na combinação de cereais com leguminosas, como arroz com feijão, ou soja e seus derivados, como leite de soja, tofu e proteína texturizada de soja, comenta.
De acordo com Gabriela, há também uma vitamina encontrada apenas em alimentos de origem animal, a B12, importante para o bom funcionamento do código genético, para todas as células do organismo, especialmente as do trato gastrointestinal, tecido nervoso e medula óssea na maturação de células sanguíneas. "O vegetariano deve ficar atento a isso, fazer acompanhamento médico ou nutricional com exames de sangue e se necessário a reposição desta vitamina por injeção ou comprimido", alerta a técnica.
O mineral ferro, deve ser obtido em alimentos de cor verde-escuro juntamente com a ingestão de fontes de vitamina C, os cítricos como: laranja, acerola, limão e morango para proporcionar maior absorção e aproveitamento pelo organismo. "Independente de seu hábito alimentar ou filosofia de vida, o segredo de uma alimentação saudável é o equilíbrio e a diversidade dos alimentos", esclarece Gabriela.

Somos todos iguais

"Muitos de nós, que escolhemos seguir esse caminho de bem-estar animal, nos deparamos, eventualmente, com a seguinte pergunta: “ você não come carne? Então você é vegetariano?”, e muitas das vezes rótulos como “vegetariano” ou “vegano”, “ovo-lacto vegetariano”, etc., é nossa resposta.  Porém, o que é ser vegetariano? É ter a capacidade de saber olhar para aquela criatura viva, e saber que sua vida é tão valiosa quanto a minha; é saber ouvir o grito de agonia das mesmas criaturas que sofrem por todos os lados, e não só ouvi-los mas ajudá-los; é saber o valor de cada um no universo em que vivemos, dar valor a tudo que nos rodeia; é não ter um pré-conceito sobre vidas consideradas por parcela de nossa raça como inferiores; enfim, é nos tornar conscientes. Conscientes de tudo que nos diz respeito à vida.
Consciência. [do lat. Conscientia.] 1. Atributo altamente desenvolvido na espécie humana e que se define por uma oposição básica: é o atributo pelo qual o homem toma em relação ao mundo ( e, posteriormente, em relação aos chamados estados interiores, subjetivos) aquela distância em que se cria a possibilidade de níveis mais altos de integração. (…) 6. Cuidado com que se executa o trabalho, dever; senso de responsabilidade. 7. Honradez, retidão, probidade.
(Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, 2ª Edição 1986, p. 457).
Ser consciente é ser responsável. Pelo quê? Por tudo que nos rodeia. Uma pessoa que se diz vegana é consciente. Consciente do mal que estaria fazendo se continuasse a comer o mundo. Uma pessoa que se diz contra o preconceito racial é consciente. Consciente do mal que estaria fazendo ao ignorar o semelhante a ele, o “diferente”. O mesmo acontece àqueles que se dizem a favor da homossexualidade, ou contra qualquer tipo de preconceito. Seja em relação à raça, sexo, ou espécie.
Para chegarmos a níveis mais altos de integração é preciso que deixemos de lado o preconceito. Ser contra o abolicionismo, tempos atrás, foi visto por muitos escravocratas como apenas uma fase, um “estilo de vida”. Eventualmente aqueles loucos iriam desistir. O mesmo aconteceu e ainda acontece com os homossexuais, que ainda lutam para ser aceitos na sociedade como “normais”. Muitos dizem “ser homossexual é só uma fase”, ou um “estilo de vida”.  Não nos esqueçamos o papel da mulher no mundo, sempre tratada como “objeto, que você usa e joga fora, depois de ter prazer”, as feministas eram tratadas como loucas, verdadeiras “bruxas”, todavia, eventualmente, iriam resignar-se diante os homens covardes.
A humanidade tem evoluído vagarosamente, temos passado várias fases, temos abandonado diversos preconceitos a fim de fazer deste inferno um novo céu. Por exemplo, uma pessoa que se diz vegana, mas tem aversão a casais homossexuais de mãos dadas nas ruas, não é uma pessoa consciente. Se ela ama os animais, a ponto de deixar de comer carne, mas mesmo assim tem coragem de matar uma formiga sequer, não é consciente. Ou ainda, um vegano que só aceita outros como ele, ou seja, “veganos” como amigos, não é consciente. Se eu não tenho preconceito para com um animal, por que teria com uma pessoa? É simplesmente lógica.
Ser consciente é ter honradez. Se sentir honrado em aceitar as diferenças. Aceitar o “novo”, que há muito já existia. Honrar toda e qualquer criatura na face da Terra. E até fora dela. Honrar sua vida e a dos outros, que aqui também estão honrando a sua. Ser consciente de que nossa espécie depende de outras espécies para viver, não para só sobreviver. Ser consciente é sentir-se honrado em permitir que outros possam sentir a honra de viver.
É hora de aceitarmos que o vegetarianismo é apenas um passo a mais na evolução do homem. Que nós não apenas estejamos juntos, mas que sejamos juntos. Ser vegetariano não é escolher um time, não é escolher um lado. Ser vegetariano é apenas mais um degrau para a eventual perfeição.
Quando for perguntado algum dia desses:
- É vegetariano?
Reflita, e sorria:
- Não, sou consciente.
Pensem nisso."
Vista-se

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Meus cães veganos

"Que me conhece, sabe: tenho 4 cães lindos, e quando olho e lembro “são todos veganos e saudáveis” dá vontade de abraçar ainda mais forte. Não que sejam veganos por opção, pois na natureza provavelmente caçariam, mas também comeriam os vegetais e frutas que encontrassem, assim como dou a eles há quase 5 anos. E posso garantir: Eles adoram. E não são poucos os vegetarianos que conheço que ainda tem receio de alimentar seus cães com dieta vegana, ou que não o fazem devido ao preço impeditivo da ração disponível. Por esse motivmo criei o site www.caesvegetarianos.info, para disponibilizar conteúdo àqueles que querem mudar, mas antes querem aprender mais sobre o tema.
Só que eu não tenho gato, então não passo pela difícil tarefa de alimentá-los com carne, pagando para matarem outros animais, já que não existe nenhuma alternativa no Brasil e a Fri-Ribe não parece se interessar em lançar essa versão. Para meus cães dou alguns suplementos vitamínicos, mas sempre com aquela sensação de estar sendo mais complicado do que deveria, só que eu queria uma opção mais viável. Quando comecei a dar ração vegetariana ela custava quase 1/3 do preço que custa hoje, quando aumentou o preço ela mais que duplicou de valor,  e simplesmente não temos mais nenhuma opção a não ser as soluções caseiras que nem sempre podem estar bem balanceadas e querendo ou não, dão um pouco mais de trabalho.
Então, será que você aí, lendo, não está procurando investir em opções para pets veganos? Nem precisa ser uma mega indústria, quando eu estava na Austrália tinha ração para cães e pra gatos em embalagem laminada e um adesivo de papel, trabalho semi-artesanal, mas ótima qualidade. Eu quero escutar ainda mais gente falando: “Eu tenho um bicho de estimação vegano e lindo”. E tenho certeza que todos os leitores aqui do Vista-se vão fazer de tudo para ajudar a ser um produto bem sucedido, certo pessoal?"
Vista-se

Sem exceções

É difícil para as pessoas entenderem
A razão nossa de nunca desistirmos.
Lutamos tanto contra o preconceito para com o negro,
Abolimos (mesmo que apenas em parcela) a escravidão.
Tiveram que morrer queimadas em fábricas, fogueiras
Feito bruxas, feito loucas, feito rebeldes criaturas
Que se rebelaram contra o machismo autoritário
De tantos homens, de tantas bestas, de tanto vazio.
Quantos não foram vítimas de crentes enganados,
Céticos cientistas, psicólogos e malucos.
Apanharam, sofreram e muitos até morreram
Por só preferirem os iguais a si mesmos.
Temos batalhado contra tudo e contra todos,
Aqueles que se diziam perfeitos, e belos.
Temos vencido preconceitos, quebrando paradigmas:
Bifobia, etaísmo, homofobia, racismo e sexismo.
A verdade é que nós, tal qual vocês, somos todos iguais.
Todos queremos um lugar de igualdade, fraternidade e liberdade.
A cada geração, temos atualizado esses três termos,
É chegada a hora de ver mais além de onde termina nosso horizonte.
Não há diferença alguma entre nós e eles,
Não somos maiores, nem são inferiores.
Animais também têm almas, também sentem dor,
Também riem, também choram, também doam amor.
A mãe-terra tem lhe chacoalhado por anos,
Tentando fazê-lo acordar enquanto é tempo.
Pare de fingir que adormece,
Ou que nada acontece…

O que me preocupa não é o grito dos violentos,
Mas o silêncio dos bons.¹
Martin Luther King, Jr.

Vista-se

Comprimidos, mitos e desinformação

Em tempos de ascensão do vegetarianismo e do veganismo entre a população brasileira e mundial, ainda temos que lidar com pessoas que, manifestando implícita ou explicitamente sua oposição a esse hábito alimentar e/ou de consumo, tentam desinformar as pessoas e atrapalhar a conscientização relacionada à exploração animal e seus impactos ambientais. Já não bastassem os polemistas e “alfacistas”, ainda hoje persistem os jornalistas que tentam pôr em xeque a sustentabilidade nutricional da alimentação sem carne, laticínios, ovos e outros derivados de animais.
Houve casos desse tipo várias vezes no jornalismo nos últimos anos, sendo a mais recente investida a do site feminino Delas, do portal IG, datada do último 10 de julho. A reportagem em questão, que critico abaixo, é intitulada “Frutas, verduras e… comprimidos?”. Buscou-se “alertar”, com mitos, argumentos mal embasados e vícios jornalísticos, para o falso perigo de subnutrição que a alimentação vegetariana poderia causar.
A princípio percebem-se várias falhas no texto: ouviu-se apenas uma especialista, ignorando-se o mandamento de ouvir uma segunda opinião em se tratando de orientação médico-nutricional; não foram procurados especialistas em nutrição vegetariana – como os muito conhecidos George Guimarães e Eric Slywitch, maiores nomes desse ramo da Nutrição no Brasil –; ao entrevistar um tatuador, procurou-se explorar implicitamente o estereótipo do “vegano underground”, que gosta de tatuagem e outros elementos culturais alternativos, reforçando a imagem inconsciente do “vegano radical e esquisitão” existente no senso comum; divulgou-se uma informação equivocada, longe de qualquer especialização científica, vinda do mesmo tatuador – ele dizendo que “dá pra viver só de legumes” –; não se mostrou nenhum dado científico ou estatístico que corroborasse as diversas acusações caluniosas levantadas.
Além do mais, repetiu-se o tão surrado mito de que o vegetarianismo não provê quantidades suficientes de ferro, cálcio e vitaminas do Complexo B. Inclusive fala-se na reportagem que “para que a opção [vegetariana] não resulte em problemas de saúde sérios [sic], é prudente que um médico avalie o quadro nutricional do paciente e prescreva a complementação dos suplementos [sic] que não são [sic] ingeridos com os alimentos.”, propagando o medo infundado dos maus efeitos que o banimento da carne e de outros derivados animais do prato supostamente causaria à saúde.
A autora da matéria e a única “especialista” entrevistada – que ainda por cima é endocrinologista, não nutricionista – insistem em vários pontos da matéria que o vegetarianismo completo, livre de qualquer alimento de origem animal, é “radical” e portanto nocivo. Usam em um ponto do texto uma dialética malfeita, que confessa por um lado que “apesar das limitações [sic], não é correto afirmar que os vegetarianos e vegans não são saudáveis”, mas “alerta”, por outro, que “o radicalismo [palavra-código que significa o abandono total de alimentos de origem animal, ou mesmo o simples banimento da carne do prato] é o fator alarmante, que pode aumentar [sic] o número de deficiências nutricionais’.”
Toca-se no assunto da vitamina B-12, falando que o vegetariano completo precisa porque precisa tomar comprimidos, destoados das refeições, para continuar vivendo saudavelmente, e ignorando que ela pode ser injetada na farmácia mais próxima em doses que duram até um ano. Com a imagem do comprimido, nutre-se ainda mais a antipatia existente pela maioria da população ao vegetarianismo, que é exibido como uma dieta “radical” e antinatural.
Ora, a dieta humana há milênios não é mais natural, visto que nenhum outro animal faz uso comum da agropecuária e nenhum outro animal que come carne promove o confinamento e abate instrumentalizado de suas presas. Nossa sedentarização e industrialização nos livrou da necessidade de caçar e coletar, meios realmente naturais de se obter alimento. Sem falar nos diversos alimentos que hoje vêm obrigatoriamente enriquecidos com, por exemplo, ferro e ácido fólico (alimentos industrializados com base de trigo) e iodo (sal marinho ensacado).
Assim sendo, falar de alimentação natural não soa mais coerente na sociedade moderna industrializada. Uma pessoa que consome macarrão enriquecido e carne de animais tratados com antibióticos e hormônios não tem autoridade para acusar o vegetarianismo completo, que requer a ingestão ou injeção periódica de B-12, de antinatural – ou explorar negativamente a imagem da alimentação artificialmente condicionada, como é o caso da reportagem em questão.
Nas últimas partes, ainda há uma coroação com duas auréolas de espinhos. Primeiro quando se fala que o fator mais influente para a adoção da dieta vegetariana seria o desejo de emagrecer e que “o consumo exclusivo [sic] de verduras e frutas” pode causar obesidade. E segundo quando se acusa o vegetarianismo de causar a chamada ortorexia, uma obsessão por alimentos estritamente saudáveis que, segundo podemos deduzir pelo texto, seria a causa maior do afastamento dos vegetarianos de ocasiões sociais em que haja um consumo livre e alto de carne – em vez da convicção ética de não compactuar com a exploração animal. A reportagem chama o vegetarianismo, indiretamente, de radicalismo obsessivo e nocivo!
Ignora-se, quando se afirma que o vegetarianismo enfatizaria por definição a alimentação estritamente saudável, a existência de junk food desprovido de carne, como hambúrgueres vegetais, pizzas veganas, salgadinhos sem ingredientes de origem animal e mesmo as velhas batatas-fritas – todos esses podendo ser livremente consumidos por vegetarianos que não estavam pensando em saúde quando pararam de comer animais.
Quem ler livros e artigos realmente esclarecedores, como o impresso “Alimentação sem Carne” de Eric Slywitch, o relatório da American Dietetic Association, atualizado em 2009, que elogia o vegetarianismo como sendo saudável, e diversos artigos de autoria de George Guimarães, vai perceber que a reportagem do Delas/IG desinforma e amedronta muito mais do que conscientiza ou informa pessoas que querem orientação para livrar seu prato de qualquer exploração animal.
Por último, terminamos de ler a fatídica reportagem reprando que não há quase nenhuma alusão às razões éticas e ambientais para a adoção do vegetarianismo e do veganismo – este não recebendo qualquer distinção que transcenda a alimentação, sendo tosca e erroneamente identificado com o vegetarianismo completo. No máximo uma alusão ligeiríssima por parte do tatuador ao fato de que o leite animal é para o filhote, não para o ser humano – nada tendo que ver com exploração e privação de direitos dos animais. É como se estivesse sendo empreendido um esforço para proteger a pecuária e a indústria frigorífica e láctea da “perversa” ameaça vegetariana.
São necessárias prudência e seriedade para uma revista, jornal ou site, ainda mais quando não é especializado em saúde e nutrição, escrever sobre vegetarianismo, tomando-se cuidado para não cair em velhos mitos caluniosos. Mas não foi o que se viu nessa reportagem. O que pudemos ver foi uma leiguice nociva, carregada de erros primários de investigação jornalística. Leiguice essa que poderá muito bem ser interpretada por muitos leitores como desonestidade e manipulação, visto que pecuaristas e empresas frigoríficas adoram quando uma reportagem tenta desqualificar o vegetarianismo e exaltar o consumo de alimentos de origem animal.
Não acuso a autora da matéria de atender a esse tipo de interesses, mas recomendo a ela e a todos os demais jornalistas que, da próxima vez, lancem mão de mais seriedade e ética ao falar de vegetarianismo. Forneçam às pessoas esclarecimento competente e devidamente embasado cientificamente, não matérias cheias de vícios e falhas cujas consequências são o amedrontamento e a desinformação.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

O Perigo das Carnes Processadas

"Pessoal, a Renata me procurou contando que na escola da filha dela o cardápio tem incluí­do quase diariamente salsichas, e nós bem sabemos que salsichas e lingüiças produzidas atualmente, por mais gostosas que possam parecer, estão longe de ser um alimento saudável para nós e muito menos para nossas crianças, que ainda estão formando seus hábitos alimentares.
E o maior problema, ao contrário do que muita gente pensa, é a inclusão de órgãos e ví­ceras no seu preparo. Eu até descobri que essas carnes estão entre as mais saudáveis. O “nojo” que a maioria de nós sente é apenas por uma questão cultural…
Os embutidos de antigamente, produzidos de forma artesanal, ainda que levassem restos de bichos, órgãos e outras carnes não utilizadas em seu estado normal, eram muito saudáveis porque não continham corantes, conservantes (como os mal-falados nitratos e nitritos), realçadores de sabor (como o glutamato monossódico) e muito menos continham restos de “sabe-se lá o quê”.
Da forma como são produzidas hoje, só me resta sugerir que fiquem longe dos embutidos, para o bem da sua saúde e dos seus filhos. A não ser que você tenha a sorte de saber prepará-las em casa da forma tradicional ou conheça alguém de confiança que prepare.
Eu compro meu salame na feira semanal que tem em Balneário Camboriú – SC, mas como não estou sempre lá, cada vez que vou trago um montão, e deixo curtindo, pendurada num gancho na janela da minha cozinha. Na feira de orgânicos da Água Branca uma amiga também me fornece lingüiças frescas de vez em quando. Ela mesma faz na fazenda dela, sem nada para conservar além de sal. Tudo de bom!!!
Num estudo recente, mais de 1500 pacientes sofredores de adenomas colorretais (pólipos pré-cancerí­genos no cólon) tiveram suas dietas investigadas. Vários anos depois eles foram reexaminados para saber se seus pólipos haviam retornado.
Os pacientes que tinham uma dieta rica em carnes processadas, onde aí­ se incluem as salsichas, salames, mortadela, bacon, lingüiças, etc, apresentaram um risco muito maior de desenvolver novamente o problema.
Entretanto, aqueles com dietas ricas em outras carnes frescas, como galinha caipira, estavam com o risco diminuí­do. O câncer colorretal é o segundo tipo de câncer que mais mata nos Estados Unidos, mais de 57000 pacientes morrem a cada ano."
Science Daily December 21, 2005
American Journal of Clinical Nutrition December 1, 2005; 82(6): 1169-1177
Mais algumas razões para evitar as carnes processadas
Um par de estudos recentes indentificaram potenciais riscos à saúde relacionados ao consumo de carnes processadas, incluindo câncer de mama, e obstrução pulmonar crônica (COPD, em inglês).
O consumo de carne vermelha processada ou incorretamente preparada (como em churrascos) está ligado a uma maior incidência de câncer de mama, uma conexão ainda mais forte quando se trata de mulheres na pré-menopausa.
Uma da explicações pode estar nos compostos produzidos quando a carne é grelhada em altí­ssimas temperaturas – aminas heterocí­clicas e hidrocarbonetos aromáticos policí­clicos – que comprovadamente promovem o crescimento de tumores.
Um outro estudo, com mais de 7000 pacientes – a maioria deles idosos – mostrou que carnes curadas, como presunto, bacon, salsichas e lingüiças estão relacionados a uma pior função pulmonar e um risco maior de COPD, mesmo se levando em conta a dieta e inúmeros outros fatores de risco. Os pacientes que mais consumiam carnes processadas eram também normalmente os que consumiam menos frutas, verduras e legumes, o que pode ter colaborado para o problema.